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O câncer de mama é o segundo tipo de câncer de maior incidência no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos nesse grupo. É o segundo em causa de mortalidade por câncer, perdendo somente para o câncer de pulmão. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil eram esperados 49.400 novas ocorrências em 2010, com risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres.

No Pará, assim como em toda a região Norte, o câncer de colo uterino tem maior incidência nas estatísticas, provavelmente tanto pela maior ocorrência quanto pelo subdiagnóstico de câncer de mama. Segundo o médico Williams Barra, essa estatística deve-se à baixa disponibilidade do exame de mamografia na região. “Com certeza, o número de casos de câncer de mama deve ser maior que o estimado na nossa região. Provavelmente fazemos menos diagnósticos de câncer de mama do que se deveria fazer”, acredita o médico.

De acordo com o oncologista clínico, o tratamento para o câncer de mama evoluiu muito nas últimas décadas. “Infelizmente, o que ainda é muito difundido é que o câncer é uma doença incurável e cujo tratamento é extremamente doloroso. Isso não é verdade. A doença, quando diagnosticada precocemente, pode ser curada e o tratamento é realizado sem grandes efeitos colaterais”, afirma. O médico Wiliams Barra diz que o exame de rastreamento, a mamografia no caso de câncer de mama, permite um diagnóstico precoce da doença, capaz de mostrar tumores pequenos em fase inicial de seu desenvolvimento.

Diversos estudos mundiais demonstraram que a realização de mamografia periódica em mulheres que não apresentam sintomas de câncer tem impacto em redução de mortalidade. Recomenda-se, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, que mulheres realizem uma mamografia anual a partir dos 40 anos ou a partir dos 35 anos quando pertencente ao grupo de alto risco (familiar de primeiro grau com câncer de mama abaixo dos 50 anos, familiar de primeiro grau com câncer de mama bilateral, familiar do sexo masculino com câncer de mama ou diagnóstico prévio de lesão mamária com atipia ou neoplasia in situ).

Tratamento – Além do diagnóstico precoce, outra boa notícia para as pacientes de câncer de mama é a evolução das variadas terapêuticas que são utilizadas tanto na oncologia clínica (quimioterapia e hormonioterapia) como na radioterapia. As máquinas utilizadas hoje são muito mais avançadas do que as de 15 anos atrás. O tratamento também está mais individualizado, já que cada mulher pode apresentar câncer de mama com características específicas, o que implica num tratamento diferenciado.

Nessa linha de evolução, surgiram os chamados tratamentos-alvo, direcionados para alterações específicas ou mais freqüentes nas células cancerosas, poupando células normais e amenizando, consideravelmente, os efeitos colaterais da paciente. É neste tipo de tratamento que a radioterapia é peça chave. Segundo o médico radioterapeuta Cláudio Reis, o papel da radioterapia no combate ao câncer de mama é essencial para melhorar o controle local da doença.

“Se melhorarmos a probabilidade de controle local da doença, também aumentamos a chance de cura da paciente. O tratamento radioterápico se dá normalmente após os primeiros ciclos de quimioterapia, quando esta for indicada. O grande problema de tal combinação é que algumas das drogas que têm maior ação para o tratamento do câncer de mama são muito tóxicas para o coração, assim temos que proteger ao máximo esse órgão para evitar possiveis sequelas cardiovasculares futuras na paciente”, explica o médico radioterapeuta. Além disto, outro órgão com possibilidade de ser acometido são os pulmões. “É fundamental o exato conhecimento do volume pulmonar e a forma que ele se comporta durante a respiração da paciente”, completa.

A técnica de radioterapia que melhor realiza o tratamento, garantindo maior segurança a paciente, é a Radioterapia com Intensidade Modulada de Feixe (cuja sigla em inglês é IMRT). Essa técnica permite que a paciente receba a dose exata e necessária para o seu tratamento. A tecnologia é assertiva, o que significa maior chance de cura, maior preservação de tecidos sadios e diminuição de efeitos colaterais no paciente. “A técnica anterior não utilizava os sistemas de planejamento tridimensionais (baseados em tomografia computadorizada), sem a qual não conseguimos saber exatamente onde estão os órgãos sadios, e sua relação com a área a ser tratada. Com a IMRT, a área acometida pode receber uma maior intensidade de dose, e ainda sim preservando os tecidos sadios”, explica o médico radioterapeuta.