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O câncer é uma doença que, em geral, passa muito tempo sem manifestar sintomas muito notáveis. E, quando eles surgem, a doença já está em estágio mais avançado. O câncer de rim não é diferente, mas tem um agravante: a mortalidade desse tumor no Brasil é de 54% segundo o Globocan (projeto da Organização Mundial de Saúde que visa coletar, organizar e divulgar dados estimativos da incidência e mortalidade dos tipos mais comuns de câncer no mundo). Ou seja, a cada dois pacientes diagnosticados com a doença, um morre. Este é um perigoso alerta que evidencia ainda mais a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Sintomas

O câncer de rim surge principalmente depois dos 60 anos de idade e é muito mais comum entre os homens. Mas os sintomas não costumam se manifestar até que os tumores se tornam grandes. Quando surgem, os indicativos da doença são: – sangue na urina; – massa abdominal palpável; – dor na região lombar; – perda de peso inexplicável. Causas No entanto, as causas da maioria dos cânceres renais são desconhecidas. É o que diz Rodrigo Alencar, urologista do Hospital HSM e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia. “Suspeita-se que o surgimento do câncer de rim possa estar envolvido com a exposição de alguns agentes químicos, como Nitrosaminas e Cádmio, com uma dieta rica em gordura e com a exposição à radiação”, explica o especialista.

Alencar também afirma que algumas doenças podem potencializar o risco de ocorrência do câncer de rim. “Uma delas é a esclerose tuberosa, doença degenerativa causadora de tumores benignos que pode afetar diversos órgãos, como cérebro, coração, olhos, rins, pele e pulmões. Outra síndrome é a leiomiomatose hereditária, que leva os pacientes a desenvolver tumores de músculo liso chamados leiomiomas ou fibróides da pele e do útero”, aponta.

Diagnóstico e tratamento

Os exames de imagem (tomografia com contraste venoso ou ressonância magnética) permitem diagnosticar cânceres renais com uma sensibilidade de quase 95%, segundo o urologista Rodrigo Alencar. “Esses exames permitem ainda avaliar e definir com exatidão o estágio da doença, prevendo as chances de cura. Caso o câncer seja diagnosticado em fase inicial, as possibilidades aumentam”, completa. A cura também é potencializada quando o tumor não avançou para órgãos vizinhos ou à distância.

O principal tratamento para o câncer de rim é a nefrectomia radical, que é a cirurgia de retirada do rim juntamente com a gordura que o envolve. Até pouco tempo atrás, a cirurgia era feita com uma incisão de 20 centímetros na região lombar. Hoje, ela é feita com a técnica de videolaparoscopia, com incisões de 0,5 a 1 centímetro. Assim, diminui a dor pós-operatória, o risco de hérnias e infecções. Em alguns casos, dependendo do tamanho e da localização do tumor, pode se retirar apenas uma parte do rim. O transplante só é realizado em casos de pacientes que têm tumores volumosos em ambos os rins ou portadores de rim único. “O tratamento evoluiu com o desenvolvimento de medicações que diminuem a irrigação sanguínea do tumor. Porém, essa terapêutica não substitui a cirurgia, mas apenas complementa”, explica o urologista Rodrigo Alencar.

Prevenção

Para se prevenir do câncer de rim, a receita é a mesma que a de quase qualquer doença: hábitos saudáveis. Não fumar, praticar uma atividade física, o controle do peso e uma alimentação balanceada, com pouca gordura. Pacientes de hemodiálise, portadores de hipertensão arterial, fumantes e pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima da média estão no grupo de risco do desenvolvimento do câncer de rim e devem redobrar os cuidados.