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Setembro foi estabelecido como o mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil. Em todo o país, governos e instituições de saúde aproveitam o Setembro Dourado para divulgar informações que podem ajudar a salvar vidas. De acordo com o INCA, no Brasil, o câncer é a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes.

A boa notícia é que a maior parte desses casos pode ser curada se diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados.

O Instituto Nacional do Câncer esclarece que o câncer infantojuvenil engloba, na verdade, vários tipos da doença. As leucemias representam o maior percentual de incidência (26%) nessa faixa etária, seguida dos linfomas (14%) e tumores do sistema nervoso central (SNC) (13%).

As diferenças entre os cânceres infantis e de adultos consistem principalmente nos aspectos morfológicos (tipo do tumor), comportamento clínico (evolução) e localizações primárias. Nas crianças e nos adolescentes, a neoplasia geralmente afeta as células do sistema sanguíneo, o sistema nervoso e os tecidos de sustentação. Nos adultos, as células epiteliais, que recobrem os órgãos, são as mais atingidas. Enquanto o câncer no adulto apresenta mutações, geralmente em decorrência de fatores ambientais, no câncer pediátrico ainda não há estudos conclusivos sobre a influência desse aspecto.

Dados de um estudo sobre o panorama do câncer infantojuvenil divulgado pelo INCA e pelo Ministério da Saúde apontam que a sobrevida estimada no Brasil por câncer na faixa etária de zero a 19 anos é de 64%, índice calculado com base nas informações de incidência e mortalidade. O estudo apontou que a sobrevida varia de acordo com a região do País. Os índices são mais elevados nas regiões Sul (75%) e Sudeste (70%) do que no Centro-Oeste (65%), Nordeste (60%) e Norte (50%).

Entre 2009 e 2013, a doença foi responsável por cerca de 12% dos óbitos na faixa de 1 a 14 anos, e 8% de 1 a 19 anos. Em 2014, foram registradas 2.724 mortes por câncer infantojuvenil no país. E a estimativa do Instituto Nacional do Câncer é que, em 2017, ocorram 12.600 novos casos de câncer na faixa etária de zero a 19 anos.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce e o pronto encaminhamento a centros especializados no cuidado de crianças com câncer são fundamentais para o sucesso do tratamento. O INCA alerta que os cânceres infantojuvenis crescem mais rapidamente do que os dos adultos e tornam-se invasivos. Por outro lado, eles respondem melhor ao tratamento.

Sobre prevenção, pais e familiares devem estar atentos às queixas de seus filhos e levá-los ao pediatra e a profissionais de saúde para avaliação. Na fase inicial, os sinais e sintomas podem se assemelhar a sintomas de doenças comuns da infância. Portanto, é avaliar cada caso, sendo fundamental que os profissionais valorizem as queixas, identifiquem os sinais e sintomas,   avaliando quando uma criança pode ter uma condição mais séria e necessita de exames para investigação diagnóstica.

Os mais frequentes

O Hospital de Câncer de Barretos, um das maiores referências no Brasil, divulgou alguns dos tipos de câncer mais comuns na infância:

Leucemia

É o câncer mais comum na infância, variando de 25 a 35 % dos casos. É caracterizada pela produção excessiva de células brancas anormais, superpovoando a medula óssea e impedindo que as células normais sejam produzidas. As leucemias podem ter índices de cura de até 90%.

Tumores do Sistema Nervoso Central

Os tumores do sistema nervoso central, cérebro e cerebelo são os tumores sólidos bem frequentes na infância e representam próximo de 20% dos cânceres infantis. O diagnóstico do tipo exato de tumor é feito durante a cirurgia, entretanto, imagens com Ressonância Magnética podem sugerir os diferentes tipos de tumores nestas regiões do Sistema Nervoso Central.

Linfoma Não-Hodkin

Conhecido como câncer do sistema linfático, pode estar presente em qualquer parte do corpo, principalmente tórax e abdome. Quando diagnosticado precocemente, os índices de cura são de 80%. Ocorre na maioria dos casos em lactentes e crianças menores de 10 anos.

Neuroblastomas

Os neuroblastomas são tratados com cirurgia e quimioterapia. Em alguns casos, indica-se radioterapia e transplante de medula. Inicia em um, ou raramente, em ambos os rins, manifestando-se como uma massa no abdome, geralmente palpado pelas mães na hora do banho.

Tumor de Wilms

Inicia em um, ou raramente, ambos os rins, manifestando-se como uma massa no abdome, geralmente palpado pelas mães na hora do banho. Mais frequentemente encontrado em crianças de 3 e 4 anos de idade.

Sarcomas de Partes Moles

São tumores que podem ocorrer em músculos, gordura e articulações. Afetam tanto crianças, quanto adolescentes e adultos. Para diagnosticar os sarcomas é muito importante que um médico experiente em câncer realize uma biópsia a fim de examinar o tumor no microscópio. O tratamento dos sarcomas é feito em geral com cirurgia e quimioterapia.

Tumores ósseos

São mais frequentes em  adolescentes. Quase sempre a criança conta que teve uma batida, que causou dor, mas a dor não vai embora. Para diagnosticá-lo, é importante fazer raio X do local doloroso, e um médico ortopedista, com bastante experiência em câncer, deve realizar uma biópsia com agulha sem cortar a pele. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura para até 70%.

Retinoblastoma

No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado “reflexo do olho do gato”, embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Geralmente, acomete crianças antes dos 3 anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita desde a fase de recém-nascido. Alguns retinoblastomas são hereditários.