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Pesquisa conduzida por um grupo de cientistas da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, revela como o consumo hiperativo de açúcar por células cancerígenas leva a um ciclo vicioso de estímulo do crescimento e desenvolvimento do câncer. O estudo amplia a descoberta feita em 1931 pelo médico alemão Otto Heinrich Warburg, que levou o prêmio Nobel de Medicina por identificar que células cancerígenas gostam de açúcar e, nos períodos em que o tumor cresce rapidamente, digerem a substância até 200 vezes mais rápido que células normais. No entanto, é bom deixar claro que o açúcar não causa câncer.

A dúvida que motivou os cientistas: o tumor cresce porque há muito açúcar, ou come muito açúcar porque está crescendo? Para descobrir, usaram como modelo as leveduras, fungos que fazem o pão crescer, já que leveduras consomem açúcar (carboidrato) no mesmo ritmo das células cancerígenas. Além disso, elas possuem proteínas chamadas RAS, que controlam o ritmo das divisões celulares, tanto nos fungos como nos mamíferos.

O problema do RAS é que, se ele sai de controle por causa de uma mutação genética, ele começa a ordenar a reprodução das células em um ritmo muito maior que o necessário. Células se multiplicam exponencialmente: uma vira duas, duas viram quatro, quatro viram oito. E por aí vai: na décima geração, já há 1024 células mutantes onde antes havia uma só. E é assim que o câncer cresce tão rápido.

A grande sacada dos cientistas foi perceber que a digestão do açúcar no interior da célula desencadeia um processo que estimula a hiperatividade das proteínas RAS, acelerando o crescimento do tumor.

O que causa são mutações genéticas. Ele pode, porém, estimular o crescimento do tumor depois que ele já existe – um conhecimento que, no futuro, poderá ser usado para planejar dietas que desestimulem a multiplicação de células malignas.