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“Saudade é o amor que fica”, diz criança com câncer em fase terminal

Para um médico oncologista, são muitas as histórias e cenas marcantes vivenciadas ao longo da experiência profissional. Sofrimentos, alegrias, momentos de superação e, sobretudo, aprendizados que são levados pelo resto da vida e modificam a forma de pensar ou agir.

Assim aconteceu com um médico com quase 30 anos de experiência, em Pernambuco.  Ele conta, com emoção, de uma paciente que lhe ensinou grandes lições e deixou um rastro eterno em sua vida.

De uma forma muito carinhosa, o médico conta da sua relação com uma paciente, de apenas 11 anos, que passou por diversos tratamentos ao longo de dois anos, passando por injeções, manipulações e vários desconfortos durante as terapias.

Ele conta que nunca viu a criança fraquejar, embora tenha chorado muitas vezes e demonstrado medo com os riscos da doença. Um dia, em especial, ele encontrou a garotinha sozinha no quarto e perguntou pela mãe.

Ela respondeu, calmamente, que a mãe às vezes ia chorar escondido no corredor porque iria sentir muitas saudades quando ela morresse. A garotinha disse que não tinha medo da morte e que não tinha nascido para esta vida.

O médico perguntou, então, o que a morte representava para ela. De uma forma bem simples e profunda, ela lembrou que, na infância, às vezes ela dormia na cama do pai e acordava na própria cama. Disse que um dia ela iria dormir o Papai do Céu iria buscá-la, para acordar na casa Dele, que é a vida verdadeira.

Por fim, a garotinha disse que a mãe sentirá muitas saudades. O médico, ainda surpreso com a maturidade da criança, perguntou novamente o que a saudade representava para ela. “Saudade é o amor que fica”, respondeu.

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Câncer na adolescência exige cuidados especiais

A adolescência é uma fase de transformações intensas na vida. O corpo muda com a puberdade, a sexualidade é descoberta e os conflitos internos surgem com força. Naturalmente, já é uma etapa complicada. Para quem tem uma doença crônica como o câncer, o período intermediário entre a infância e a vida adulta é ainda mais difícil: fragilidade física, rotina alterada e a diminuição da autoestima acabam acentuando as crises pessoais naturais dessa faixa etária.

João Vitor, 14 anos, usa a fé e a alegria para lutar contra um câncer

Quando um adolescente é diagnosticado com câncer, a doença demanda tratamentos mais agressivos. Em primeiro lugar, porque a cura total da doença é sempre o objetivo final. A noção de expectativa de vida de um adolescente com câncer é muito diferente da de um adulto. Para um idoso com um tumor maligno, uma sobrevida de um ano pode significar muito. Para um adolescente, essa mesma notícia significa a abreviação de uma existência que não passou por importantes ciclos.

De acordo com o artigo “Câncer na Adolescência: Um estudo com instrumento projetivo”, dos psicólogos Cláudio Garcia Capitão e Maria Amélia Zampronha, adolescentes que sofrem de câncer apresentam sintomas mais depressivos. “Isso é explicado por uma série de fatores como o desenvolvimento do adolescente, que permite que ele tenha maior consciência do significado de sua enfermidade e de seu estado. A alteração da imagem corporal numa época em que a autoimagem tem grande importância para o jovem em desenvolvimento, o que ocasiona rebaixamento da autoestima, a insegurança em relação a seu futuro, que envolve o trabalho, a construção de uma família, ter filhos e a preocupação de que estes sejam saudáveis, e, finalmente, as dúvidas sobre a possibilidade de superar a doença sem sequelas e assim dar continuidade a seu projeto de vida”, diz o artigo.

Gisele Mendes, assistente social, convive com muitos pacientes adolescentes que reagem de formas diferentes ao fato de terem câncer. “Geralmente eles ficam tristes e irritados com a aparência, porque nessa idade eles dão muita importância pra isso, sofrem preconceito no colégio, nos supermercados, nas ruas”, afirma. A ansiedade, o medo, a raiva e a dificuldade de adaptação ao hospital onde fazem tratamento também são reações comuns.

Felizmente, há aqueles que ainda conseguem encontrar energia para superar a doença e continuar levando uma vida normal na medida do possível. É o caso de João Vitor Oeiras, 14 anos. Internado no HSM com neoplasia maligna da medula espinhal, ele é um exemplo de superação e explica como é viver essa etapa da vida com uma doença crônica.

“Descobrir o câncer não foi tão ruim assim, claro que foi difícil, principalmente nos momentos mais críticos do tratamento, mas eu sempre aceitei a doença”. Esse é o pensamento do garoto que já passou por dois tipos de tratamento contra o câncer. João descobriu a doença aos 13 anos e teve que parar de estudar pra fazer radioterapia. A tentativa não deu certo e o levou a fazer a quimioterapia. Mesmo passando pelas dificuldades do tratamento, ele voltou à escola. Não parou de estudar e não deixou de ter uma vida normal. João gosta muito de ler e sonha ser marinheiro.

O menino conta que tem três grandes pilares para ajudá-lo: a família, os amigos que fez no hospital e a fé. João é evangélico e diz que a religião deu forças para que ele seguisse em frente. Apaixonado por artes, o menino se distrai escrevendo histórias e fazendo desenhos relacionados a religião.

Os parentes de João contam que desde o inicio ele vem sendo tranqüilo e compreensivo com as agressividades e conseqüências da quimioterapia, e que conversar com o garoto nunca foi problema, mesmo durante os momentos mais tensos do tratamento. O João sempre foi um menino feliz, alto astral, nunca se deixou abater. “Ele agora inventou que quer participar de uma maratona”, brinca a tia, ao falar da afeição do garoto por corrida. O bom humor de João é prova de que com o carinho da família, é possível vencer qualquer obstáculo, sem deixar de viver uma vida normal.

*** Você é adolescente e tem câncer? Possui um paciente de câncer de até 17 anos na família? Compartilhe seus relatos com o Blog do Câncer. Comente este post ou mande um e-mail para fernandaffilho@gmail.com