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Vitamina D previne o câncer?

Desde que estudos epidemiológicos observaram que existiria relação entre exposição solar e incidência de câncer, muitos seguidores nos procuraram para fazermos uma matéria sobre a importância da vitamina D na prevenção do câncer. Os estudos que foram publicados mostraram que, de fato, há menor incidência de câncer nas regiões do mundo com maior quantidade de luz solar por ano. Considerando que tomar sol é uma das formas de obter vitamina D, os estudos acenderam um alerta nas pessoas sobre a importância desta vitamina.

É aí que entra o papel de pesquisadores das universidades de Omaha, na Califórnia e no Texas, liderados pela médica Joan Lappe. Eles avaliaram o impacto de suplementação de vitamina D e cálcio durante quatro anos na incidência de câncer.

O estudo foi publicado, em março deste ano, na revista americana Jama Oncology e foi feito com 2,3 mil mulheres saudáveis com mais de 55 anos que foram divididas em dois grupos: um que recebia suplementação diária de vitamina D associada a cálcio; e outro em que eram recebidas doses de placebo, uma substância sem efeito biológico.

Entretanto, a pesquisa não incluiu pessoas do sexo masculino e não foi possível trazer afirmações sobre suplementação vitamínica para este grupo. Com as dúvidas, Dr. Lappe recomendou mais estudos, desta vez, incluindo a participação de homens.

A pesquisa concluiu que ainda faltam dados mais claros e evidências mais decisivas antes de disseminar esta prática para toda a população. Todavia, quem toma vitamina D com a estratégia de evitar doenças como a osteoporose e fraturas ósseas deve continuar a receber os medicamentos normalmente.

A vitamina D, embora tenha o nome de vitamina, na verdade é um hormônio e tem, entre outras funções, o efeito regulador sobre a proliferação celular, o que sugere em estudos pré-clínicos, um maior risco do desenvolvimento de câncer em quem tem deficiência de vitamina D.

“No entanto não há nenhuma recomendação com confirmação científica para a reposição da vitamina D como forma de prevenção ao câncer, mais estudos precisam ser realizados para o uso da vitamina com este fim.
O que já é consagrado, é que a suplementação de vitamina D com altas doses é capaz de desacelerar a progressão da doença em pacientes com câncer colorretal metastático”, explicam.

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10 alimentos indicados para a prevenção do câncer de próstata

Está comprovado que uma alimentação saudável diminui os riscos de se desenvolver o câncer de próstata. Esse tipo de câncer é o mais comum entre homens no Brasil, depois do câncer de pele. Segundo o Instituo Nacional do Câncer (INCA), a estimativas apontam 68.220 novos casos da doença em 2018.

Para ajudá-los a manter uma dieta balanceada, a nutricionista Jéssica Maeve, da equipe oncológica do Hospital HSM, listou 10 alimentos indicados para a prevenção do câncer de próstata. Confiram:

1. Tomate

Disponível principalmente no tomate em sua forma cozida, o licopeno é uma substância que inibe a proliferação celular e tem função antioxidante que protege a membrana das células do corpo através do bloqueio de radicais livres.

2. Uva escura

A casca e as sementes contêm resveratrol, que estimula os mecanismos de defesa dos nossos genes contra o câncer e induz a morte de células doentes.

3. Gérmen de trigo e óleos vegetais

Ricos em vitamina E, que favorece fatores de defesa contra a produção excessiva de radicais livres. Também protege as células normais contra efeitos danosos da quimioterapia sem proteger o tumor, ou seja, reduz os efeitos colaterais sem reduzir a efetividade.

4. Castanha do Pará

A castanha e os cereais integrais possuem selênio, mineral que promove a morte de células cancerígenas e evita a redução do número de genes protetores das células.

5. Couve-flor e brócolis

Apresentam o fitoquímico isotiocinato, substância ativa que é capaz de prevenir ou atrasar a evolução do câncer. O consumo desses alimentos contribui para inativar o processo inicial do câncer e proteger o DNA de danos causados por agentes nocivos.

6. Soja

Alimento rico em isoflavonas, compostos que têm efeito sobre hormônios sexuais sanguíneos relacionados ao câncer de próstata.

7. Alho

Fonte de alicina, que induz a autodestruição de várias células cancerígenas e pode retardar ou inibir o crescimento de tumores.

8. Linhaça

Uma das fontes mais ricas em lignana, um fioestrógeno que desempenha papel na prevenção de cânceres dependentes de estrogenios, podendo reduzir o crescimento de tumores de próstata e mama e aumentar a taxa de mortalidade de células malignas de pacientes com câncer de próstata.

9. Buriti

A fruta brasileira com maior concentração de β-caroteno, um carotenoide que age no fortalecimento do sistema imunológico e diminuição no risco de doenças degenerativas, como o câncer.

10. Sardinha fresca e salmão

Os dois peixes são exemplos de alimentos que possuem ácidos graxos ômega-3, que atuam contra o surgimento do câncer, retardam o crescimento de tumores e aumentam a eficácia da radioterapia e de vários quimioterápicos.

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Iodoterapia no combate ao câncer de tireóide

O nome que até pouco tempo assustava, começa a se tornar sinônimo de confiança. A medicina nuclear já é considerada pelos especialistas um dos métodos mais eficientes de investigação de doenças e já tem sido adotada nos mais moderns centros médicos do país, em especial na área do diagnóstico.

Esta especialidade médica faz uso de pequenas quantidades de substâncias radioativas, visando diagnosticar ou tratar determinadas doenças. “É um processo extremamente seguro do ponto de vista da radiação. A Medicina Nuclear é de uma utilidade ímpar, pois ela nos permite avaliações funcionais, com uma quantidade mínima de radiação. Os materiais, aliás, não são lesivos ao paciente. O uso desses materiais também é bastante seguro: as reações adversas, praticamente, inexistem”, ressalta Dr. Saulo Fortes, físico médico do HSM, de Belém.

Um tratamento que mostra a eficiência deste campo da medicina é a Iodoterapia, usada no combate ao câncer de tireóide e hipertireoidismo. A terapêutica é regulamentada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e visa eliminar células cancerígenas que ainda se encontram no organismo do paciente. Também pode ser usada no tratamento da dor óssea proveniente do câncer.

O tratamento é indolor e exige apenas cuidados, como o uso de equipamentos de segurança, compostos de avental de chumbo e protetor de tireóide, tanto para a equipe médica quanto para o paciente. Depois de pouco tempo, toda a radioatividade é eliminada do corpo e a pessoa faz o exame de PCI (Pesquisa de Corpo Inteiro) para saber o êxito do tratamento e voltar às suas atividades normais.

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Pacientes com Câncer podem fazer atividade física?

Anos atrás, acreditava-se que pessoas em tratamento de doenças como o câncer deviam manter-se em repouso e reduzir suas atividades físicas. O cansaço que acomete até 70% dos pacientes com câncer e pode decorrer tanto da doença, quanto do próprio tratamento, contribuía para se acreditar que os pacientes deveriam ficar, ao máximo, em repouso.

Bem diferente do que era no passado, pesquisas recentes demonstram que a prática de exercícios físicos, em grande parte dos casos, não só é segura e possível durante o tratamento do câncer, como também pode aliviar os sintomas do próprio tratamento, a exemplo das náuseas pós-quimioterapia. Os exercícios também podem melhorar a disposição, a qualidade de vida do paciente e, por incrível que pareça, reduzem o cansaço. Ao contrário do que se imaginava, o repouso em excesso pode resultar em perda funcional e atrofiamento muscular, reduzindo a amplitude dos movimentos do paciente.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a prática de atividades tem relação direta com a redução do risco de retorno do câncer. Estudo publicado no periódico JAMA demonstrou que os pacientes que passaram a caminhar por pelo menos 30 minutos, em média cinco vezes por semana, ou fizeram exercícios equivalentes, apresentaram cerca de 60% de redução do risco de recidiva da doença.

Ou seja, colocar o corpo em movimento pode melhorar a tolerância ao tratamento, reduzir suas complicações e ainda reduzir o risco do câncer voltar. Sempre com orientação do seu médico, movimente-se, seja com caminhadas, danças, hidroginástica, natação ou bicicleta.

Quando não fazer atividade física?

Quando há anemia muito acentuada, a prática de exercícios não é recomendada, pois a responsável por levar oxigênio aos pulmões é a hemoglobina. Outra situação é quando o nível de plaquetas – células do sangue responsáveis pela coagulação e cicatrização – está muito baixo. Atualmente, não recomenda-se, de forma geral, atividades físicas com plaquetas abaixo de 20 mil.

Em situações em que o tumor ou suas metástases, por exemplo ósseas, a depender da localização e dor relacionada, podem também limitar a execução de certos exercícios, a prática de atividade física é desestimulada. Mesmo nessas condições, vale a pena discutir com o médico a realização de atividades com baixa carga, como hidroterapia ou hidroginástica.

O ideal é sempre falar com o médico oncologista antes de iniciar qualquer atividade física. O acompanhamento especializado é imprescindível para qualquer pessoa que realiza atividades físicas, seja ela portadora de alguma doença ou não.

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Câncer de intestino: sintomas comuns são sinal de alerta

Quem nunca se deparou com um desconforto abdominal ou até mesmo gases? Alguns sintomas são vistos como algo comum, principalmente pelo fato de algumas pessoas não terem uma alimentação saudável. No entanto, médicos alertam para a negligência desses e de outros sinais, pois eles podem significar algo mais sério, inclusive um câncer.

O câncer de intestino é um tipo de câncer tratável e, na maioria dos casos, curável. Sintomas comuns como desconforto abdominal, cólicas frequentes, intestino constipado, anemia e gases estão entre os sintomas.

Também conhecido como câncer de cólon e reto, ou câncer colorretal, este tipo de câncer é causado por tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino). Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são apontados 36.360 novos casos da doença este ano.

O poder das fibras

Uma alimentação saudável, rica em fibras, como legumes, frutas e verduras não podem faltar no cardápio de quem quer se ver livre da doença. “O hábito de consumir muita gordura saturada e poucas fibras é um veneno. O ideal é inverter essa ordem e priorizar o que te faz bem”, afirma o oncologista do Grupo Meridional Fernando Zamprogno.

O médico também explica que o objetivo das fibras é realizar uma limpeza no intestino. Por isso, elas devem ser mastigadas. “Não adianta bater no liquidificador. A fibra faz um bolo fecal mais aerado e facilita que a gente elimine diariamente as fezes sem grandes dificuldades”, explica Fernando.

Fatores de risco

Cigarro, consumo frequente de bebidas alcoólicas, histórico de inflamação e pólipos na família e pessoas com idade superior há 50 anos estão entre os fatores de risco para a doença. “Mesmo sendo uma doença que assusta, o câncer de intestino é na maioria dos casos curável, mas precisa de diagnóstico rápido. Então o ideal é que todos nós, acima dos 40 anos, façamos o exame de busca ativa chamado de colonoscopia. Ela identifica pólipos que um dia podem se tornar um câncer”, alertou Fernando.

Segundo a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), 36.360 novos casos da doença devem ser registrados em 2019.

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Diagnóstico precoce e novas tecnologias aumentam chances de cura para o câncer de mama

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer de maior incidência no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos nesse grupo. É o segundo em causa de mortalidade por câncer, perdendo somente para o câncer de pulmão. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil eram esperados 49.400 novas ocorrências em 2010, com risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres.

No Pará, assim como em toda a região Norte, o câncer de colo uterino tem maior incidência nas estatísticas, provavelmente tanto pela maior ocorrência quanto pelo subdiagnóstico de câncer de mama. Segundo o médico Williams Barra, essa estatística deve-se à baixa disponibilidade do exame de mamografia na região. “Com certeza, o número de casos de câncer de mama deve ser maior que o estimado na nossa região. Provavelmente fazemos menos diagnósticos de câncer de mama do que se deveria fazer”, acredita o médico.

De acordo com o oncologista clínico, o tratamento para o câncer de mama evoluiu muito nas últimas décadas. “Infelizmente, o que ainda é muito difundido é que o câncer é uma doença incurável e cujo tratamento é extremamente doloroso. Isso não é verdade. A doença, quando diagnosticada precocemente, pode ser curada e o tratamento é realizado sem grandes efeitos colaterais”, afirma. O médico Wiliams Barra diz que o exame de rastreamento, a mamografia no caso de câncer de mama, permite um diagnóstico precoce da doença, capaz de mostrar tumores pequenos em fase inicial de seu desenvolvimento.

Diversos estudos mundiais demonstraram que a realização de mamografia periódica em mulheres que não apresentam sintomas de câncer tem impacto em redução de mortalidade. Recomenda-se, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, que mulheres realizem uma mamografia anual a partir dos 40 anos ou a partir dos 35 anos quando pertencente ao grupo de alto risco (familiar de primeiro grau com câncer de mama abaixo dos 50 anos, familiar de primeiro grau com câncer de mama bilateral, familiar do sexo masculino com câncer de mama ou diagnóstico prévio de lesão mamária com atipia ou neoplasia in situ).

Tratamento – Além do diagnóstico precoce, outra boa notícia para as pacientes de câncer de mama é a evolução das variadas terapêuticas que são utilizadas tanto na oncologia clínica (quimioterapia e hormonioterapia) como na radioterapia. As máquinas utilizadas hoje são muito mais avançadas do que as de 15 anos atrás. O tratamento também está mais individualizado, já que cada mulher pode apresentar câncer de mama com características específicas, o que implica num tratamento diferenciado.

Nessa linha de evolução, surgiram os chamados tratamentos-alvo, direcionados para alterações específicas ou mais freqüentes nas células cancerosas, poupando células normais e amenizando, consideravelmente, os efeitos colaterais da paciente. É neste tipo de tratamento que a radioterapia é peça chave. Segundo o médico radioterapeuta Cláudio Reis, o papel da radioterapia no combate ao câncer de mama é essencial para melhorar o controle local da doença.

“Se melhorarmos a probabilidade de controle local da doença, também aumentamos a chance de cura da paciente. O tratamento radioterápico se dá normalmente após os primeiros ciclos de quimioterapia, quando esta for indicada. O grande problema de tal combinação é que algumas das drogas que têm maior ação para o tratamento do câncer de mama são muito tóxicas para o coração, assim temos que proteger ao máximo esse órgão para evitar possiveis sequelas cardiovasculares futuras na paciente”, explica o médico radioterapeuta. Além disto, outro órgão com possibilidade de ser acometido são os pulmões. “É fundamental o exato conhecimento do volume pulmonar e a forma que ele se comporta durante a respiração da paciente”, completa.

A técnica de radioterapia que melhor realiza o tratamento, garantindo maior segurança a paciente, é a Radioterapia com Intensidade Modulada de Feixe (cuja sigla em inglês é IMRT). Essa técnica permite que a paciente receba a dose exata e necessária para o seu tratamento. A tecnologia é assertiva, o que significa maior chance de cura, maior preservação de tecidos sadios e diminuição de efeitos colaterais no paciente. “A técnica anterior não utilizava os sistemas de planejamento tridimensionais (baseados em tomografia computadorizada), sem a qual não conseguimos saber exatamente onde estão os órgãos sadios, e sua relação com a área a ser tratada. Com a IMRT, a área acometida pode receber uma maior intensidade de dose, e ainda sim preservando os tecidos sadios”, explica o médico radioterapeuta.

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“Saudade é o amor que fica”, diz criança com câncer em fase terminal

Para um médico oncologista, são muitas as histórias e cenas marcantes vivenciadas ao longo da experiência profissional. Sofrimentos, alegrias, momentos de superação e, sobretudo, aprendizados que são levados pelo resto da vida e modificam a forma de pensar ou agir.

Assim aconteceu com um médico com quase 30 anos de experiência, em Pernambuco.  Ele conta, com emoção, de uma paciente que lhe ensinou grandes lições e deixou um rastro eterno em sua vida.

De uma forma muito carinhosa, o médico conta da sua relação com uma paciente, de apenas 11 anos, que passou por diversos tratamentos ao longo de dois anos, passando por injeções, manipulações e vários desconfortos durante as terapias.

Ele conta que nunca viu a criança fraquejar, embora tenha chorado muitas vezes e demonstrado medo com os riscos da doença. Um dia, em especial, ele encontrou a garotinha sozinha no quarto e perguntou pela mãe.

Ela respondeu, calmamente, que a mãe às vezes ia chorar escondido no corredor porque iria sentir muitas saudades quando ela morresse. A garotinha disse que não tinha medo da morte e que não tinha nascido para esta vida.

O médico perguntou, então, o que a morte representava para ela. De uma forma bem simples e profunda, ela lembrou que, na infância, às vezes ela dormia na cama do pai e acordava na própria cama. Disse que um dia ela iria dormir o Papai do Céu iria buscá-la, para acordar na casa Dele, que é a vida verdadeira.

Por fim, a garotinha disse que a mãe sentirá muitas saudades. O médico, ainda surpreso com a maturidade da criança, perguntou novamente o que a saudade representava para ela. “Saudade é o amor que fica”, respondeu.

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Câncer na adolescência exige cuidados especiais

A adolescência é uma fase de transformações intensas na vida. O corpo muda com a puberdade, a sexualidade é descoberta e os conflitos internos surgem com força. Naturalmente, já é uma etapa complicada. Para quem tem uma doença crônica como o câncer, o período intermediário entre a infância e a vida adulta é ainda mais difícil: fragilidade física, rotina alterada e a diminuição da autoestima acabam acentuando as crises pessoais naturais dessa faixa etária.

João Vitor, 14 anos, usa a fé e a alegria para lutar contra um câncer

Quando um adolescente é diagnosticado com câncer, a doença demanda tratamentos mais agressivos. Em primeiro lugar, porque a cura total da doença é sempre o objetivo final. A noção de expectativa de vida de um adolescente com câncer é muito diferente da de um adulto. Para um idoso com um tumor maligno, uma sobrevida de um ano pode significar muito. Para um adolescente, essa mesma notícia significa a abreviação de uma existência que não passou por importantes ciclos.

De acordo com o artigo “Câncer na Adolescência: Um estudo com instrumento projetivo”, dos psicólogos Cláudio Garcia Capitão e Maria Amélia Zampronha, adolescentes que sofrem de câncer apresentam sintomas mais depressivos. “Isso é explicado por uma série de fatores como o desenvolvimento do adolescente, que permite que ele tenha maior consciência do significado de sua enfermidade e de seu estado. A alteração da imagem corporal numa época em que a autoimagem tem grande importância para o jovem em desenvolvimento, o que ocasiona rebaixamento da autoestima, a insegurança em relação a seu futuro, que envolve o trabalho, a construção de uma família, ter filhos e a preocupação de que estes sejam saudáveis, e, finalmente, as dúvidas sobre a possibilidade de superar a doença sem sequelas e assim dar continuidade a seu projeto de vida”, diz o artigo.

Gisele Mendes, assistente social, convive com muitos pacientes adolescentes que reagem de formas diferentes ao fato de terem câncer. “Geralmente eles ficam tristes e irritados com a aparência, porque nessa idade eles dão muita importância pra isso, sofrem preconceito no colégio, nos supermercados, nas ruas”, afirma. A ansiedade, o medo, a raiva e a dificuldade de adaptação ao hospital onde fazem tratamento também são reações comuns.

Felizmente, há aqueles que ainda conseguem encontrar energia para superar a doença e continuar levando uma vida normal na medida do possível. É o caso de João Vitor Oeiras, 14 anos. Internado no HSM com neoplasia maligna da medula espinhal, ele é um exemplo de superação e explica como é viver essa etapa da vida com uma doença crônica.

“Descobrir o câncer não foi tão ruim assim, claro que foi difícil, principalmente nos momentos mais críticos do tratamento, mas eu sempre aceitei a doença”. Esse é o pensamento do garoto que já passou por dois tipos de tratamento contra o câncer. João descobriu a doença aos 13 anos e teve que parar de estudar pra fazer radioterapia. A tentativa não deu certo e o levou a fazer a quimioterapia. Mesmo passando pelas dificuldades do tratamento, ele voltou à escola. Não parou de estudar e não deixou de ter uma vida normal. João gosta muito de ler e sonha ser marinheiro.

O menino conta que tem três grandes pilares para ajudá-lo: a família, os amigos que fez no hospital e a fé. João é evangélico e diz que a religião deu forças para que ele seguisse em frente. Apaixonado por artes, o menino se distrai escrevendo histórias e fazendo desenhos relacionados a religião.

Os parentes de João contam que desde o inicio ele vem sendo tranqüilo e compreensivo com as agressividades e conseqüências da quimioterapia, e que conversar com o garoto nunca foi problema, mesmo durante os momentos mais tensos do tratamento. O João sempre foi um menino feliz, alto astral, nunca se deixou abater. “Ele agora inventou que quer participar de uma maratona”, brinca a tia, ao falar da afeição do garoto por corrida. O bom humor de João é prova de que com o carinho da família, é possível vencer qualquer obstáculo, sem deixar de viver uma vida normal.

*** Você é adolescente e tem câncer? Possui um paciente de câncer de até 17 anos na família? Compartilhe seus relatos com o Blog do Câncer. Comente este post ou mande um e-mail para fernandaffilho@gmail.com

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Radioterapia IMRT e braquiterapia: alta tecnologia no tratamento de câncer

Diante do avanço do câncer, a medicina não tem medido esforços para melhorar o tratamento e a dignidade do paciente com câncer. Nessa linha, um dos aparelhos de alta tecnologia, focado nas técnicas mais modernas, é o de Radioterapia com Intensidade Modulada de Feixe (IMRT) para tratamento de tumores no sistema nervoso central, cabeça e pescoço, próstata e pulmões, uma das mais utilizadas em nível mundial; e Braquiterapia de Alta Taxa de Dose, voltada para tumores superficiais, tumores do esôfago, pulmão, próstata, além de colo uterino e endométrio.

Os procedimentos com a utilização da IMRT são eficientes e seguros, uma vez que permitem ao paciente receber a dose exata e necessária para o seu tratamento. A tecnologia é assertiva, o que significa maior chance de cura, maior preservação de tecidos sadios e diminuição de efeitos colaterais.

“A técnica anterior não utilizava os sistemas de planejamento tridimensionais (baseados em tomografia computadorizada), sem os quais não conseguimos saber exatamente onde estão os órgãos sadios, e sua relação com a área a ser tratada. Com a IMRT, a área acometida pode receber uma maior intensidade de dose, e ainda sim os tecidos sadios serão preservados”, explica o médico radioterapeuta Cláudio Reis.

Braquiterapia guiada por imagens

Outra modalidade de radioterapia que evoluiu bastante foi a braquiterapia. Hoje, as pacientes recebem o tratamento em regime ambulatorial, sem a necessidade de internação, num procedimento minimamente invasivo, com duração de até uma hora. Na braquiterapia são colocados aplicadores, adaptados à topografia a ser tratada, com uma fonte radioativa do tamanho de um “grão de arroz”, que entra e sai do aplicador, conforme o tempo e a dose programada.

Os sistemas de planejamento de braquiterapia também evoluíram significativamente. Segundo o médico Cláudio Reis, esses sistemas integram a ressonância nuclear magnética, a tomografia e a braquiterapia, resultando numa modalidade chamada de Braquiterapia Guiada por Imagens. “Com isso, o médico consegue realmente diferenciar o tumor dos tecidos sadios e prescrever a dose exata onde realmente ainda há doença. Com isso, temos a maior integração e quantificação de dose recebida pela paciente durante a Radioterapia externa (IMRT) e a braquiterapia, minimizando efeitos colaterais”, afirma.

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Fatores de gênero influenciam na incidência de câncer

Até que ponto o gênero influencia na tendência maior ou menor em desenvolver câncer? Este é um fator preponderante? Vamos debater este mês o assunto aqui no Blog, além também de falar dos principais cânceres em destaque no mês: sarcoma e bexiga.

O câncer de estômago, por exemplo, se manifesta mais em homens do que em mulheres. De acordo com o INCA, estão previstos 21.290 casos este ano, sendo 13.540 em homens e 7.750 em mulheres. Ainda segundo o Instituto, a ocorrência desse tipo de câncer é maior em homens devido aos hábitos alimentares e o estresse intenso que leva ao aparecimento de úlceras. Estudos apontam que o público masculino não costuma procurar auxílio médico aos primeiros sintomas de que algo não vai bem.

O câncer de pulmão é o mais comum dos tumores malignos, apresentando o aumento de 2% todos os anos. Devido ao tabagismo, o câncer de pulmão acomete mais homens do que mulheres. Os casos de 2018 são 31.270, sendo 18.740 homens e 12.530 mulheres. Apesar do número de homens fumantes ainda ser maior, a população feminina se aproxima cada vez mais desse placar a cada ano, o que é extremamente preocupante para o setor da saúde de modo geral, pois o cigarro prejudica não apenas quem fuma, mas as pessoas ao redor também.

A maior parte das incidências de câncer acometem homens, com pouquíssimas exceções, como por exemplo, o câncer colorretal. O câncer colorretal aparece em forma de tumores que acometem uma parte do intestino grosso (o cólon) e o reto. É altamente tratável se for detectado precocemente. A maior parte dos tumores se inicia a partir de pólipos benignos que se alojam na parede do intestino grosso. A melhor forma de prevenção para esse tipo de câncer é identificar os pólipos e retirá-los antes que se tornem malignos. Estimativa de novos casos: 36.360, sendo 17.380 homens e 18.980 mulheres.

A maioria dos casos de câncer podem ser curados, sejam em homens ou em mulheres , se descobertos a tempo. Por isso, fique atento a qualquer sinal ou sintoma diferente no seu corpo. Procure seu médico de confiança!

Semana que vem a gente volta ao assunto.